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7 Razões para não usar Omeprazol no tratamento de azia e refluxo gastroesofágico

7 Razões para não usar Omeprazol no tratamento de azia e refluxo gastroesofágico
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Omeprazol efeitos colaterais
Omeprazol efeitos colaterais

Em função dos atuais avanços na especialização da medicina, existe uma tendência de olhar exclusivamente para uma determinada área do corpo onde a doença se manifesta.

Quando as pessoas vão ao médico se queixando de azia, muitos deles receitam medicamentos antiácidos para reduzir a secreção de ácido gástrico, pelo fato de acreditarem que a azia seja sempre consequência de hiperacidez gástrica e, portanto, o excesso de secreção de ácido gástrico deve ser inibido com medicação.

O que é azia?

A azia acontece basicamente quando há o refluxo do conteúdo estomacal, que é extremamente ácido, causando a irritação da parede do esôfago.

Quando o ácido gástrico invade o esôfago, há uma tendência a se engolir saliva, que é alcalina, para neutralizar a ação do ácido que refluiu.

O quadro repetitivo de acúmulo de ácido no esôfago, causado pelo excesso de comida ou má digestão, em conjunto com a dificuldade de empurrar para baixo com a saliva o conteúdo que refluiu do estômago, vai ocasionando lesões chamadas de erosões esofágicas.

Quando ocorre o refluxo e o ácido gástrico atinge as lesões, acontece a queimação ou o desconforto recorrente conhecido como azia. A utilização de medicamentos antiácidos inibe a secreção de ácido, proporcionando o alívio do sintoma.

Entenda Por Que Não se Deve Fazer Uso Prolongado de Omeprazol no Tratamento de Refluxo Gastroesofágico e Azia Recorrentes?

Existem vários medicamentos que são utilizados para inibir a acidez estomacal, como é o caso dos antagonistas dos receptores H2(cimetidina, ranitidina, famotidina e nizatidina) e os inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, rabeprazol e esomeprazol).

É verdade que se a secreção de ácido gástrico for reduzida, sintomas como a azia podem realmente desaparecer. Porém, essa forma de tratamento, que atua no sintoma e não na causa do problema, poderá causar sérios danos, além de sobrecarregar outras partes do organismo. O ácido gástrico é produzido porque é essencial ao equilíbrio da saúde geral do organismo e a inibição desse mecanismo natural com remédios pode acabar causando sérios problemas.

Existem dois órgãos no corpo humano que apresentam níveis de acidez elevados em seus interiores.

Esses órgãos são o estômago e a vagina.

A principal função da acidez elevada (pH abaixo de 3) é matar bactérias.

As bactérias entram no estômago durante a ingestão de alimentos. Desta forma, a cada refeição, bilhões de bactérias invadem a cavidade estomacal e o ácido presente no suco gástrico mata a maioria delas. Se o ácido gástrico, indispensável à proteção do corpo, for inibido com medicamentos, as bactérias maléficas, as quais liberam fortes toxinas, não serão eliminadas no estômago e alcançarão o intestino, podendo causar diarreia, mau hálito, excesso de gases com odor desagradável e diversos outros problemas.

Confira a seguir os principais problemas causados pelo uso prolongado de medicamentos para inibir a acidez do estômago.

1) O uso de medicamentos de ação antiácida como o Omeprazol e similares para inibir a secreção de ácido gástrico causa acloridria e diversos outros problemas.

O refluxo gastresofágico acontece quando o esfíncter esofágico inferior não funciona adequadamente após o alimento ter entrado no estômago. Esse esfíncter é uma válvula(conhecida como cárdia, por estar próxima ao coração) que tem a função de impedir o refluxo do conteúdo estomacal para o esôfago.

O esôfago tem um ambiente com pH por volta de 6,5 e o estômago, quando em condições normais de funcionamento, tem pH em torno de 2,0, pois tem ácido clorídrico, um ácido forte que está presente no suco gástrico. A deficiência de produção desse ácido é conhecida como acloridria e é caracterizada pela incapacidade do pH gástrico alcançar valores abaixo de 4,0.

A acloridria pode ser o resultado de vários processos subjacentes, tais como anemia perniciosa, tireopatia auto-imune, infecção por H.pylori ou mesmo uso prolongado de inibidores da bomba de prótons como o Omeprazol. Esse quadro é relativamente comum, principalmente nas pessoas com mais de 40 anos de idade e pode ser necessário o uso de agentes que estimulam a secreção ácida, como é o caso do cloridrato de betaína, que tem efeito oposto ao do Omeprazol.

Se o pH do estômago com deficiência de ácido estiver acima de 4,0, a válvula do piloro(esfíncter que controla a passagem do bolo alimentar do estômago para o intestino delgado) não abre adequadamente, pois ela é dependente do pH. Por sua vez, a válvula cárdia (esfíncter localizado na junção do esôfago com o estômago) abre, e parte do alimento contido no estômago volta para o esôfago.

Quando um conteúdo com pH de 4,0, como é o caso do conteúdo estomacal em questão, invade o esôfago, que tem pH de 6,5, acontece a irritação da sua parede e surge a queimação e o desconforto que caracterizam a azia. Nesse caso, a azia não acontece pelo excesso de ácido, mas sim pela deficiência de ácido no estômago.

Quando uma pessoa com azia e refluxo procura um médico, na grande maioria das vezes, o profissional receita um medicamento para inibir a secreção de ácido no estômago, pois ele é treinado para remediar os sintomas e acredita que a azia seja resultado da hiperacidez gástrica. Daí orienta o paciente a tomar medicamentos como o Omeprazol e seus similares.

Quando a pessoa toma o Omeprazol, parece que melhora, pois ele anestesia o esôfago e o sintoma desaparece. Mas, na verdade, a causa do problema, que é a deficiência de ácido, não foi atacada e acontece muitas vezes o retorno da azia quando o uso do remédio é interrompido. Consequentemente, muitas pessoas permanecem tomando esses medicamentos por um longo período e é aí onde mora o perigo. Apesar de controlar o sintoma, a causa do problema não é eliminada e o uso continuado de medicamentos causa diversos outros problemas.

2) O uso prolongado de Omeprazol e similares para inibir a secreção de ácido gástrico enfraquece a imunidade.
Cerca de 100 trilhões de bactérias residem no intestino humano. O equilíbrio entre bactérias boas e ruins determina a saúde geral do ambiente intestinal, o qual é responsável por aproximadamente 85% da imunidade do corpo humano. A supressão de ácido gástrico destrói o equilíbrio bacteriano do intestino, resultando no enfraquecimento do sistema imunológico. Assim, abre-se a porta para inúmeras doenças.

3) O uso de medicamentos antiácidos como o Omeprazol e similares causa má digestão.
Se a secreção de ácido gástrico for reduzida, as secreções de pepsina e ácido clorídrico, que ativam as enzimas digestivas, também serão reduzidas, resultando em má digestão. Assim, os alimentos não digeridos são encaminhados diretamente ao intestino e lá permanecem. A temperatura no interior do intestino é cerca de 37oC e os alimentos não digeridos sofrem fermentação anormal, iniciando o processo de decomposição(putrefação). A consequência é a multiplicação anormal de bactérias ruins e o enfraquecimento do sistema imunológico. Essas bactérias maléficas liberam toxinas que causam a produção de gases e fezes com odor desagradável.

4) O uso prolongado de medicamentos antiácidos como o Omeprazol e similares dificulta absorção de nutrientes.
O uso prolongado de Omeprazol reduz a secreção ácida do estômago e a redução da quantidade de ácido gástrico dificulta a digestão e, posteriormente, a absorção de nutrientes, principalmente de minerais essenciais como ferro, cálcio e magnésio, podendo causar deficiências desses minerais. Só para se ter uma ideia dos problemas que tais deficiências podem causar, consideremos o caso do magnésio, por exemplo. O magnésio apresenta mais de 350 funções no organismo, ou seja, existem mais de 350 reações no corpo humano que são dependentes desse mineral e, consequentemente, a deficiência desse nutriente pode causar problemas em várias partes do corpo.

5) O uso prolongado de medicamentos antiácidos como o Omeprazol e similares causa gastrite atrófica.
Na mucosa do estômago existem minúsculas projeções chamadas vilosidades, que secretam ácido gástrico. A utilização contínua de medicamentos que reduzem a secreção deste ácido causa um encurtamento cada vez maior dessas vilosidades, enfraquecendo a sua função e ocasionando a atrofia da mucosa gástrica. À medida que a atrofia evolui, a mucosa afina, causando uma inflamação conhecida como gastrite atrófica.

6) O uso prolongado de inibidores de ácido gástrico como o Omeprazol e similares pode causar câncer de estômago.
O estômago com gastrite atrófica apresenta um ambiente altamente favorável ao crescimento de bactérias como a Helicobacter pylori (H. pylori), o que piora muito a inflamação, podendo até originar o câncer de estômago. A infecção por essa bactéria aumenta de duas a seis vezes o risco de câncer gástrico em pessoas infectadas.

Como a porta de entrada da H. pylori no organismo é a boca, a taxa de infecção aumenta com a idade. Estima-se que por volta de metade da população acima de 50 anos esteja infectada. Entretanto, o fato de uma pessoa estar infectada não quer dizer que que ela necessariamente terá câncer de estômago. Mas, como medida preventiva para impedir a multiplicação dessa bactéria, recomenda-se evitar ao máximo o uso prolongado de medicamentos de ação antiácida que reduzem a secreção de ácido gástrico.

7) O uso prolongado de inibidores de ácido gástrico pode causar disfunção erétil e esterilidade em homens.
A ingestão regular de medicamentos que reduzem a secreção de ácido gástrico, particularmente os bloqueadores de receptores H2 como a ranitidina, pode causar disfunção erétil. Existem estudos que mostram que existe uma relação estreita entre o consumo prolongado desses medicamentos e a redução aguda na contagem de espermatozóides. Baseado neste fato, não seria exagero afirmar que os problemas relacionados à esterilidade masculina observados nos últimos anos podem ser atribuídos a vários antiácidos fortes comercializados.

Diante desse quadro, observa-se que quanto mais medicamentos antiácidos se tomar, mais danos o organismo sofrerá. Para evitar tais danos é preciso evitar o refluxo do conteúdo estomacal para o esôfago, pois assim não haverá a necessidade de utilização prolongada de remédios para inibir a secreção de ácido no estômago.

Sabe-se que a sensibilidade e a predisposição para problemas estomacais variam de pessoa para pessoa. Porém, são os hábitos alimentares e o estilo de vida que determinam as condições favoráveis ou desfavoráveis ao aparecimento da doença.

Assim, para impedir que a azia, o refluxo gastroesofágico e sensação de estufamento aconteçam, em geral são necessárias atitudes como:

⇒ evitar o excesso de alimentos e bebidas;

⇒ evitar os alimentos de difícil digestão como carne vermelha, leite e derivados, frituras em geral e alimentos ricos em gordura animal;

⇒ aumentar a ingestão de hortaliças, frutas e vegetais crus(se possível antes das refeições), pois eles possuem enzimas e auxiliam o processo de digestão;

⇒ mastigar bastante os alimentos antes da deglutição;

⇒ evitar o consumo de açúcar e doces em geral;

⇒ eliminar ou reduzir ao máximo o consumo de álcool e café;

⇒ eliminar o fumo;

⇒ ir dormir após decorridas 3 ou 4 horas do jantar de forma que o estômago esteja o mais vazio possível na hora de ir para a cama.

⇒ adotar um estilo de vida saudável e combater as emoções negativas oriundas do estresse, como a ansiedade e o nervosismo, através da prática de exercícios físicos, yoga ou meditação.

⇒ usar água com limão no combate à azia. O limão, apesar de apresentar sabor ácido, possui elevado teor de ácido cítrico, que estimula a formação de citratos e outros sais de caráter alcalino, o que promove a neutralização da acidez tanto no estômago quanto no sangue e nos líquidos corporais em geral, contribuindo para o equilíbrio do funcionamento do organismo como um todo(homeostase). Tomar água com limão é uma prática muito antiga, oriunda da milenar filosofia Ayurveda, que recomenda tomar um copo de água natural ou morna com o suco de meio limão em jejum, logo ao acordar. Além do controle da acidez corporal, essa prática oferece diversos benefícios como o estímulo do sistema imunológico e a liberação de toxinas.

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Farmacêutica generalista, Pós Graduada em Cosmetologia Clínica pelo Instituto IPUPO e Pós Graduada em Farmacologia Clínica pela UCDB. Trabalhou durante 7 anos em farmácias (drogaria e manipulação) de onde carrega larga experiência no atendimento à clientes, dispensação de medicamentos, atenção farmacêutica e treinamento de colaboradores. Também lecionou durante 7 anos em cursos técnicos na área de saúde além de coordenação. Atualmente é coordenadora da Comissão Técnica no CRF/Piracicaba e Farmacêutica Clínica - Hospitalar no Hospital dos Fornecedores de Cana/Piracicaba.

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