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Lipodistrofia na terapia com Antiretroviral

Lipodistrofia na terapia com Antiretroviral
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Você sabe o que é Lipodistrofia?

Lipodistrofia
Lipodistrofia

A síndrome da imunodeficiência adquirida é uma doença pandêmica que tem como agente etiológico o vírus HIV.

Este vírus á capaz de parasitar o sistema imunológico e um dos principais componentes atacados é o linfócito, célula responsável pelo ataque aos microrganismos invasores ao organismo.

Seu tratamento consiste em uma combinação de drogas capazes de inibir diferentes etapas da replicação viral, que são classificadas de acordo com as enzimas virais que inibem e são divididas em três diferentes categorias: IsTRN, IsTRNN e IsP.

Acredita-se que o tratamento do HIV tem relação com a lipodistrofia (Síndrome de redistribuição de gordura – SRG) e dislipidemias que ocorrem nos pacientes portadores do vírus, principalmente com o tratamento dos inibidores de proteases. Ainda não se conhece o mecanismo exato, mas estudos mostram casos de pacientes com o aparecimento da lipodistrofia após mudarem seu tratamento antiretroviral, onde o tratamento atual consiste em inibidores de proteases.

A lipodistrofia tem como principais manifestações:

  • Lipoatrofia periférica (perda de gordura nos membros superiores e/ou inferiores, nádegas e face tipo “lua cheia”,
  • Acúmulo de gordura central com concentração no abdome (tornando-o globoso), mamas, região dorso-cervical
  • Resistências insulínica,
  • Desordens metabólicas neuroendócrinas,
  • Alterações do metabolismo dos lipídeos: aumento do colesterol total, LDL colesterol e triglicerídeos, diminuição dos valores de HDL colesterol e glicídios (açúcares).

Estas modificações indicam risco aumentado significativo para obstrução de artérias (ateroma), podendo levar a demais complicações como:

  • Insuficiência renal,
  • Resistência insulínica (hiperglicemia),
  • Aumento da pressão arterial,
  • Riscos cardiovasculares como por exemplo, o AVC.

Como cardiopatias mais graves, podemos citar:

  • Cardiomiopatia dilatada,
  • Endocardites, miocardites,
  • Pericardites,
  • ICC direita causada por hipertensão pulmonar,
  • Alterações no sistema de condução do coração,
  • Neoplasias infiltrativas.

Uma das hipóteses para esta lipodistrofia seria a inibição parcial ou total do metabolismo lipídico devido à similaridade da estrutura do sítio de ligação da proteína viral com as proteínas envolvidas no metabolismo lipídico.

Outras hipóteses para esta lipodistrofia seriam:

  • A inibição da atividade da LPL,
  •  Competição pelo sítio de ação entre os inibidores de protease com os receptores hepáticos; interferência sobre a via exógena do metabolismo lipídico,
  • Supressão do catabolismo da forma nuclear da proteína ligadora do elemento regulador de esteróis,
  • Efeitos sobre produção de cortisol,
  • Toxicidade da mitocôndria,
  • Inibição do citocromo P450,
  • Apoptose dos adipócitos.

A lipodistrofia na terapia antiretroviral requer maiores estudos para os mecanismos envolvidos no caso porém fica claro que a terapia é essencial para melhora da qualidade de vida do paciente mas requer cuidados e atenção para controle de patologias associadas.

A equipe multidisciplinar (infectologista, nutricionista, endocrinologista, farmacêutico, psicólogo) é essencial para bons resultados no tratamento.

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Farmacêutica generalista, Pós Graduada em Cosmetologia Clínica pelo Instituto IPUPO e Pós Graduada em Farmacologia Clínica pela UCDB. Trabalhou durante 7 anos em farmácias (drogaria e manipulação) de onde carrega larga experiência no atendimento à clientes, dispensação de medicamentos, atenção farmacêutica e treinamento de colaboradores. Também lecionou durante 7 anos em cursos técnicos na área de saúde além de coordenação. Atualmente é coordenadora da Comissão Técnica no CRF/Piracicaba e Farmacêutica Clínica - Hospitalar no Hospital dos Fornecedores de Cana/Piracicaba.

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